Tenho o prazer de comentar aqui sobre um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira: “Ouvir estrelas”, de Olavo Bilac. É uma obra muito bonita, que nos motiva a apreciar um belo céu estrelado e a natureza como um todo. A seguir, falo um pouco sobre o autor e o seu poema, apresento o texto na íntegra e explico por que eu gosto bastante dele. Falo também da adaptação do poema para a música, feita pelo grupo Kid Abelha.
Olavo Bilac e o poema Ouvir Estrelas
Olavo Bilac viveu entre os anos de 1865 e 1918 e se tornou um dos maiores poetas da literatura brasileira. Só para se ter uma ideia da sua importância, ele foi, ao lado de Machado de Assis e outros intelectuais, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras em 1897. Além de ser um autor elogiado pelos estudiosos da literatura, muitos de seus poemas são populares até hoje.

Por exemplo, o poema “Ouvir estrelas” é um dos mais lembrados pelo grande público. Ele foi publicado no ano de 1888, no livro Via Láctea, e é um típico poema parnasiano. O Parnasianismo foi um movimento literário que ocorreu no Brasil no final do século XIX. Uma característica importante dos representantes desse movimento era a busca pela perfeição técnica.
Segue o poema na íntegra:
Ouvir Estrelas (Olavo Bilac)
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
Por que eu gostei do poema
É um poema muito bem construído. Em apenas 14 versos, distribuídos em duas estrofes de quatro versos (quartetos) e duas estrofes de três versos (tercetos) — estrutura chamada de soneto —, ele diz muito em poucas palavras. Note também o cuidado em produzir rimas de boa qualidade e o uso de um vocabulário elegante, dentre outras qualidades notáveis de construção.
O poema é tão marcante que foi cantado pela cantora Paula Toller, do grupo Kid Abelha. A um poema de conteúdo já brilhante, o grupo acrescentou uma bela melodia e uma bonita interpretação vocal.
Gostei em especial da mensagem principal do texto. Como o poema destaca, quem tem o hábito de contemplar a natureza muitas vezes é tido como alguém “sem senso”, ou seja, maluco, alguém que está apenas perdendo tempo. Mas, como conclui Bilac: “Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas”. Ou seja, é preciso ter sensibilidade e capacidade de reflexão para “conversar” com as estrelas, ou seja, apreciar as estrelas e outras maravilhas da criação.
É claro que, hoje em dia, exige muito mais esforço da nossa parte parar e contemplar a natureza. Nossa vida é corrida e somos constantemente bombardeados por estímulos audiovisuais nesta era digital. No entanto, vale a pena esse empenho para desenvolver nossa sensibilidade e amor pelo mundo natural. É importante, nem que seja por alguns minutinhos por dia, olhar para fora, refletir na grandiosidade do universo e no significado de tanta beleza. Essa atitude nos ajuda a ser mais tranquilos e a buscar valores mais elevados para a vida.
