Existe hoje uma sobrecarga de informação. Basta alguns minutos com o celular na mão para ser possível consumir dezenas de vídeos, mensagens e postagens. Mas será que todo esse conteúdo realmente nos alimenta?
Essa é a questão discutida por Maria Clara Rossini no ótimo artigo “Informação é comida. Escolha bem o que você consome”, publicado na edição de julho de 2026 da revista Superinteressante. A autora compara o feed das redes sociais aos alimentos ultraprocessados: agradáveis, viciantes, mas pobres em nutrientes.
Os principais pontos do artigo
Algumas ideias e informações apresentadas chamam a atenção:
- O Brasil possui cerca de 272 milhões de celulares em uso, o equivalente a aproximadamente 1,3 aparelho por habitante. Então, praticamente todos os brasileiros, inclusive a maioria das crianças, têm um smartphone.
- Diversos estudos associam o uso excessivo de smartphones ao aumento da ansiedade, da depressão e das dificuldades de concentração.
- Até a década de 1980, a alimentação dos brasileiros era composta principalmente por alimentos naturais. Com o crescimento dos ultraprocessados (por exemplo, biscoitos recheados, macarrão instantâneo etc), alimentos muito mais saborosos e práticos passaram a ocupar um espaço cada vez maior na dieta.
- Os ultraprocessados são desenvolvidos para serem extremamente atraentes ao paladar. O problema é que oferecem muito prazer imediato, mas possuem pouco valor nutricional. Logo depois de consumidos, a fome volta.
- Segundo o artigo, algo semelhante acontece com boa parte do conteúdo das redes sociais. Passar longos períodos rolando o TikTok, assistindo a vídeos curtos ou vendo status e mensagens encaminhadas produz uma satisfação rápida, mas dificilmente contribui para ampliar nosso conhecimento ou aprofundar nossa compreensão do mundo.
- Em contraste, livros de qualidade, bons artigos, reportagens aprofundadas e outras leituras com rico conteúdo funcionam como alimentos ricos em nutrientes: exigem mais tempo e atenção, mas oferecem benefícios muito maiores.

A autora também faz uma observação importante: não há problema em consumir conteúdos leves de vez em quando, assim como não faz mal comer um biscoito recheado ocasionalmente. O problema surge quando esse passa a ser praticamente o único tipo de “alimento” que consumimos.
Ao final, fica uma reflexão bastante oportuna:
Devemos prestar tanta atenção ao que consumimos nas redes sociais quanto ao que colocamos no nosso prato.

Por que gostei do artigo
Gostei do texto principalmente por sua enorme atualidade.
Hoje é difícil para boa parte das pessoas imaginar a vida completamente desconectada das redes sociais. Elas fazem parte do trabalho, da comunicação e até do lazer. Justamente por isso, torna-se cada vez importante gerenciarmos o tempo que passamos nelas e, sobretudo, não transformá-las em nossa principal fonte de informação.
A comparação entre alimentação física e alimentação intelectual também me pareceu também bastante pertinente. Normalmente nos preocupamos com a qualidade daquilo que comemos para manter o corpo saudável. Mas será que dedicamos o mesmo cuidado ao que alimenta nossa mente?
Essa é uma pergunta que vale uma pausa.
Os livros que lemos, os textos que escolhemos, os vídeos a que assistimos e até as conversas que cultivamos ajudam a formar nossa visão de mundo. Por isso, fazer uma avaliação regular da nossa “dieta intelectual” é tão importante quanto prestar atenção à nossa alimentação física. (Clique aqui para ler o artigo na íntegra)
