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Hotel Ruanda: O impacto do filme e a terrível história real

“A história é o registro dos crimes e das loucuras da humanidade” . Essa definição impactante, que aparece no livro A Era dos Extremos , de Eric Hobsbawn,(clique aqui e confira um post sobre esse ótimo livro), resume bem a trajetória humana.

O que aconteceu em Ruanda, país da África Oriental, no ano de 1994, é um dos exemplos mais tristes que apoiam esse conceito. O filme Hotel Ruanda é inspirado nos fatos reais, e horrendos, ocorridos naquele país. Assim, muito mais do que um simples entretenimento, essa excelente obra nos motiva a pensar no nível de perversidade e insanidade a que os seres humanos podem chegar.

COMO EU SOUBE DOS TERRÍVEIS ACONTECIMENTOS EM RUANDA

No ano de 1994, eu tinha 19 anos. Não me lembro de notícias frequentes na mídia sobre o genocídio que ocorria em Ruanda nessa época. E não é para menos: até hoje, conflitos sangrentos que ocorrem em países da África, como no Sudão, recebem pouca atenção da comunidade internacional — ao contrário do que acontece com a guerra na Ucrânia, por exemplo.

O conhecimento sobre esse conflito chegou até mim por meio da revista A Sentinela (edição de 15 de dezembro de 1994), publicada pelas Testemunhas de Jeová. A revista destacou o genocídio, as causas daquele conflito civil bárbaro e como as Testemunhas de Jeová e outras pessoas estavam sendo afetadas. Tomei conhecimento de que o massacre em Ruanda foi um dos piores da história: em apenas 100 dias, aproximadamente 1 milhão, isso mesmo, 1 milhão, de pessoas perderam a vida, incluindo 400 Testemunhas de Jeová.

Como eu já tinha esse conhecimento prévio sobre o massacre, o filme Hotel Ruanda chamou muito a minha atenção.

Clique na imagem para assistir ao filme na Prime Vídeo.

SOBRE O FILME HOTEL RUANDA

O filme, de 1994, dirigido por Terry George, é inspirado em fatos reais. O protagonista é Paul Rusesabagina (interpretado por Don Cheadle), gerente de um hotel de luxo em Kigali, capital de Ruanda. Paul usou seus contatos com pessoas influentes e conseguiu transformar o hotel em um refúgio. Graças a essa iniciativa, mais de 1.200 pessoas — a maioria da etnia Tutsi — foram salvas do genocídio.

A obra mostra as tensões étnicas entre a maioria Hutu e a minoria Tutsi. Um dos pontos críticos do roteiro é a denúncia da omissão da comunidade internacional. Os Tutsis estavam sendo literalmente dizimados enquanto as grandes potências permaneciam indiferentes.

O impacto do filme foi enorme. Foi indicado ao Oscar em três categorias e teve grande repercussão mundial.

POR QUE EU GOSTEI DO FILME

Vale a pena assisti-lo porque ele consegue unir emoção, reflexão histórica e drama de forma ábil e impactante. O filme retrata de maneira muito vívida o cenário de tensão crescente em 1994.

Na minha visão, a atuação do elenco foi muito boa. Don Cheadle, por exemplo, teve um desempenho de alto nível.  Ele interpretou um homem corajoso que, embora heróico, demonstrou características bem humanas, como medo e até desespero, mas sem nunca deixar de tentar ajudar o próximo.

Tecnicamente, o filme também se destaca: a trilha sonora é envolvente e o enredo prende a atenção do início ao fim, mantendo uma excelente coerência narrativa.

O filme tem cenas fortes. Mas, infelizmente, foram inspiradas em fatos reais.

Principalmente, Hotel Ruanda nos faz refletir sobre questões atuais. É fundamental cultivarmos a empatia e lutarmos contra o preconceito e a desumanização. Precisamos ter cuidado para não acreditar em discursos de ódio, mesmo que a maioria ao nosso redor o faça.

Na Alemanha Nazista, por exemplo, grande parte da sociedade — apesar da sua reputação de ser culturalmente avançada — acreditou cegamente na propaganda nazista. O resultado foi o Holocausto. Em Ruanda, o cenário se repetiu: o governo espalhou a ideia de que os Tutsis eram “baratas” (uma praga), incitando o ódio contra civis que nada tinham a ver com o conflito.

O filme possui cenas chocantes e revoltantes, mas a violência ali não é gratuita. É uma pequena amostra da terrível realidade que se abateu sobre aquele país. Ele nos motiva a ter uma sensibilidade maior e a valorizar a vida humana.

Por tudo isso, recomendo muito esse filme. Ele aumenta nossa bagagem cultural e o senso crítico. Também nos motiva a refletir com seriedade no grande sofrimento que as guerras da atualidade tem causado.