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Resenha: A.I. – Inteligência Artificial

SOBRE O FILME

A.I. – Inteligência Artificial é um excelente filme lançado em 2001 e dirigido por Steven Spielberg. A obra mistura ficção científica com drama, numa narrativa que emociona e faz refletir sobre o futuro da humanidade e da tecnologia.

O filme se passa em um futuro onde robôs extremamente avançados, chamados de “mecas”, convivem com seres humanos. A trama gira em torno de David, um menino-robô programado para amar seus pais humanos, mas que acaba sendo rejeitado. Determinado a se tornar um “menino de verdade” para recuperar o amor de sua mãe adotiva, David parte em uma jornada cheia de desafios, descobertas e emoções.

A.I. – Inteligência Artificial recebeu duas indicações ao Oscar (Melhor Trilha Sonora Original e Melhores Efeitos Visuais) e foi muito elogiado pela direção, pela estética futurista e pela atuação de Haley Joel Osment, que interpretou David.

Clique na imagem para assistir ao filme na Prime Vídeo.

POR QUE EU GOSTEI DO FILME

O filme reúne diversos elementos que o tornam uma experiência cinematográfica marcante: uma trilha sonora envolvente, que intensifica os sentimentos expressos na história, além de uma combinação equilibrada de aventura, drama e suspense. As imagens e efeitos visuais contribuem para criar uma ambientação futurística impressionante.

No entanto, o que mais me agradou foi a maneira como o filme aborda, com habilidade e sensibilidade, temas importantes e profundos. Destaco a seguir alguns desses temas:

1. O que nos define como seres humanos?

Essa é, para mim, uma das questões mais profundas do filme. A capacidade de sonhar, de ter esperança, de amar e demonstrar amor , de ter senso de justiça, empatia e compaixão são características essenciais da nossa humanidade. O filme nos convida a refletir sobre esses elementos de uma  forma tocante.

2. A busca por aceitação

Em determinado momento, David é rejeitado por sua mãe adotiva e parte em uma jornada solitária em busca de ser amado e aceito novamente. Essa busca emociona o espectador e sugere que David, embora um robô, gradativamente desenvolve sentimentos muito próximos aos humanos. O filme nos lembra que o amor genuíno e a aceitação são fundamentais para a nossa felicidade.

3. A solidão e o abandono

O abandono do menino David é retratado de forma comovente. Ele se vê sozinho em um mundo hostil e perigoso, o que nos faz refletir sobre os momentos em que talvez já tenhamos nos sentido desamparados. O filme destaca a importância de não perdermos  a esperança, mesmo diante de situações tristes. 

Em vários momentos, David se vê sozinho em um mundo hostil.

4. A relação entre criação e responsabilidade

O filme considera uma questão importante: quem se torna pai ou mãe, seja biologicamente ou por adoção, assume uma responsabilidade que precisa ser levada a sério, independentemente das dificuldades.

5. O desejo de eternidade

Nenhum ser humano jamais conseguiu escapar da morte. Ela é, infelizmente, uma parte inevitável da vida. Por que, então, a realidade da morte nos incomoda tanto? Por que, ao longo da história, tantos cientistas e pensadores tentaram — e ainda tentam — desvendar o segredo da vida eterna? A.I. – Inteligência Artificial nos motiva a pensar sobre essas questões tão profundas. O anseio de David por se tornar “real” e ser amado para sempre reflete o nosso desejo de que  vida tenha um sentido e seja permanente.

Desejamos, no íntimo, que a nossa vida tenha um sentido e seja permanente

Por tudo isso, recomendo muito o filme A.I. – Inteligência Artificial. É uma obra comovente, sensível e muito bem construída, que nos motiva a refletir sobre aquilo que nos define como seres humanos. Essa reflexão era importante em 2001 e é ainda mais relevante hoje, numa época em que as chamadas inteligências artificiais, como ChatGPT, Gemini, entre outras, atingiram um nível de sofisticação que poucos poderiam imaginar.

No entanto, mesmo que essas ferramentas avancem ainda mais, elas jamais possuirão aquilo que é verdadeiramente humano: nossa capacidade de amar, de criar, de sonhar e de sentir. Pensar nisso nos motiva a valorizar nossa essência — e a lutar para preservá-la.