O filme Razão e Sensibilidade (1995) é tido como uma das melhores adaptações de um clássico da literatura para o cinema. Neste texto, apresento informações gerais sobre o filme e explico por que vale a pena saborear essa belíssima obra cinematográfica.
SOBRE O FILME
Razão e Sensibilidade foi lançado em 1995 e é inspirado no livro de mesmo nome da grande escritora Jane Austen. O livro Razão e Sensibilidade foi escrito no século XIX e foi o primeiro romance publicado pela autora. Outros livros famosos dela são Orgulho e Preconceito, Emma e Persuasão, dentre outros. Muitos colocam Jane Austen no mesmo nível de William Shakespeare no que se refere ao talento e ao impacto na cultura mundial.
Voltando ao filme, ele foi dirigido por Ang Lee, e o roteiro foi escrito por Emma Thompson, que também atua como uma das protagonistas. O roteiro é muito bem construído e, inclusive, ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 1996.
Segue um breve resumo da história: após a morte do Sr. Dashwood, suas filhas e sua esposa ficam desamparadas financeiramente em razão das leis de herança da época, que favoreciam o filho do primeiro casamento. A família se vê obrigada a se mudar para uma casa bem mais humilde, localizada em uma pequena cidade.
O foco do filme está no contraste entre as duas irmãs mais velhas:
- Elinor (a “Razão”): pragmática, reservada e controlada, ela esconde seus sentimentos por Edward Ferrars para manter o decoro e proteger a família.
- Marianne (a “Sensibilidade”): romântica, impulsiva e intensa, entrega-se de corpo e alma à paixão pelo sedutor Willoughby, chocando a comunidade ao violar certas regras de conduta moral.
O filme destaca a jornada de ambas na busca pelo equilíbrio entre o que o coração deseja e o que a realidade exige, em uma sociedade em que o casamento motivado apenas por interesses econômicos era algo muito comum.

POR QUE VALE A PENA SABOREAR O FILME
O filme é realmente maravilhoso. Trata-se de um drama envolvente, com uma dose significativa de crítica social, que valoriza a figura feminina e nos convida a adotar uma postura mais madura diante dos dilemas da vida. É uma obra de excelente nível moral, que pode ser apreciada tranquilamente por toda a família.
Não é por acaso que Razão e Sensibilidade é considerado uma das melhores adaptações literárias de todos os tempos. O filme conseguiu ser muito fiel ao espírito do livro escrito por Jane Austen — e posso afirmar isso com convicção, pois também li a obra. Além do clima romântico, o filme preserva a crítica à hipocrisia da sociedade da época. Como já mencionado, as leis vigentes tornavam a situação financeira das mulheres extremamente vulnerável. Muitas dependiam quase exclusivamente de um bom casamento para garantir uma vida digna. Quem não conseguia isso ficava em situação de grande desamparo. Tanto o livro quanto o filme destacam e criticam essa realidade, mesmo sendo obras marcadas por um forte tom romântico.
Acho também muito bonitas as lições que a história transmite. O livro — e o filme — ensinam que não devemos ser frios ou insensíveis, mas também não podemos ser dominados pelos sentimentos. É fundamental buscar o equilíbrio entre razão e sensibilidade. A obra também nos alerta para o perigo dos julgamentos precipitados: alguém pode ser charmoso, bonito e bom de papo, mas revelar-se uma pessoa de mau caráter; enquanto outra, mais tímida ou considerada pouco atraente fisicamente, pode ter uma alma verdadeiramente bonita. É preciso, portanto, olhar além das aparências.
Para aqueles que desejam um relacionamento amoroso duradouro e feliz, o filme reforça a importância da paciência. Saber esperar, com maturidade, até que seja possível se relacionar com alguém decente, respeitoso e que valorize o outro, é uma virtude. A precipitação em namorar ou casar pode, muitas vezes, levar a grandes desastres.
Assim, recomendo fortemente esse excelente filme. Trata-se de uma adaptação muito bem realizada de um clássico da literatura e de uma distração de alto nível, repleta de conteúdo humano e reflexões valiosas. Vale muito a pena assistir!
