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O Fugitivo (1993): o filme que lembra Os Miseráveis

Ação, suspense, um enredo inteligente e muita adrenalina — esses são alguns dos ingredientes do ótimo filme O Fugitivo, de 1993.

O longa se tornou um clássico dos filmes de perseguição policial. Conta com atuações marcantes de Harrison Ford e Tommy Lee Jones, foi um dos maiores sucessos de bilheteria da década de 1990 e venceu vários prêmios importantes, entre eles o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Tommy Lee Jones.

Mas há ainda um ingrediente especial que pouca gente sabe: o filme tem uma forte relação com um dos grandes clássicos da literatura mundial, o romance Os Miseráveis. (Há um post sobre esse livro aqui no Sabores Literários.)

A seguir, comento brevemente o enredo, a relação com Os Miseráveis e explico por que recomendo o filme.

Clique na imagem para assistir ao filme no Prime Vídeo.

Resumo da história

O Dr. Richard Kimble (Harrison Ford) é um respeitado cirurgião vascular em Chicago. Sua vida desmorona quando chega em casa e encontra sua esposa, Helen, brutalmente assassinada.

No local do crime, ele luta com o assassino, mas o invasor consegue fugir. E quem acaba sendo acusado pelo assassinato? O próprio marido, o doutor Kimble.

Kimble é condenado à morte. No entanto, durante o transporte para o presídio, ocorre um acidente catastrófico com o ônibus prisional, e ele consegue escapar.

Agora, na condição de fugitivo, Kimble precisa:

1 — Sobreviver à caçada implacável liderada pelo experiente agente federal Samuel Gerard (Tommy Lee Jones).

2 — Investigar por conta própria quem realmente assassinou sua esposa.

Ao longo dessa investigação, Kimble descobre que o crime não foi um simples latrocínio. Na verdade, está ligado a uma grande conspiração envolvendo a indústria farmacêutica e médicos corruptos.


A conexão com o livro Os Miseráveis

O doutor Kimble pode ser associado a Jean Valjean. Ambos foram profundamente injustiçados pelo sistema.

Já o agente Samuel Gerard lembra Javert, o inspetor que persegue implacavelmente Valjean no romance de Victor Hugo. Javert era um cumpridor da lei frio e inflexível.

No filme, quando Kimble afirma ser inocente, Gerard responde de forma seca:

“Eu não me importo.”

Ou seja, ele não está interessado em investigar a verdade naquele momento. Seu objetivo é apenas cumprir a lei e capturar o fugitivo.

Tanto no filme quanto no livro Os Miseráveis, uma das partes mais bonitas da história é justamente o momento em que a verdadeira justiça prevalece sobre a simples letra da lei.

Há uma forte conexão do filme com o clássico Os miseráveis.

Por que eu gostei do filme

Gosto de O Fugitivo porque é um filme de ação que, ao mesmo tempo, apresenta uma trama bem elaborada. Quando percebi a conexão com o livro Os Miseráveis, meu apreço pelo filme aumentou ainda mais. Também considero interessantes algumas lições que aparecem ao longo da história.

A vida humana é valiosa

Mesmo sendo vítima de uma grande injustiça e sofrendo uma intensa perseguição, o doutor Kimble arrisca várias vezes a própria vida para salvar pessoas desconhecidas. Jean Valjean, em Os Miseráveis, demonstra o mesmo tipo de atitude.

Vale a pena manter a integridade

Kimble, mesmo trabalhando em um ambiente de grandes interesses econômicos, permanece íntegro. Mesmo sob pressão, ele não abre mão de seus princípios éticos. Já um personagem que antes era considerado seu “melhor amigo”, motivado pela ganância, se mostra corrupto e indiferente à vida humana.

Nem sempre os interesses da medicina e da indústria farmacêutica coincidem com o bem do paciente

O filme também traz um alerta importante: nem sempre o que acontece nos bastidores da medicina e da indústria farmacêutica prioriza a saúde da população. Muitas vezes, o lucro fala mais alto.

Por isso, é prudente estarmos atentos. Diante da indicação de uma cirurgia ou de um tratamento mais sério, pode ser sensato buscar uma segunda ou até uma terceira opinião médica, para ter maior segurança sobre o caminho a seguir.

Inclusive, o livro Nação Tarja Preta, de Anna Lembke, destaca fatos negativos que frequentemente ocorrem na relação entre médicos, governos e a indústria farmacêutica (Clique aqui para ler um post sobre esse livro aqui no Sabores)

Trechos do filme podem ser relacionados com esse famoso livro.

Assim, por vários motivos, vale a pena assistir O Fugitivo.
É um filme eletrizante, cheio de ação, com uma trama inteligente — e que ainda dialoga, de maneira interessante, com um dos grandes clássicos da literatura mundial.