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Resenha do livro Anticâncer

SOBRE O LIVRO

O livro Anticâncer: Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais foi escrito pelo médico e neurocientista francês David Servan-Schreiber e publicado pela primeira vez em 2007. Após ser diagnosticado com um tumor cerebral agressivo, Servan-Schreiber estabeleceu como objetivo compreender como o estilo de vida pode influenciar a prevenção e o combate ao câncer.

Em Anticâncer, o autor compartilha suas descobertas e destaca a importância de fortalecer as defesas naturais do corpo na luta contra o câncer. O livro combina ciência médica, experiências de vida e conselhos práticos, o que o torna altamente elogiado tanto no meio acadêmico quanto pelo público em geral. Com argumentos consistentes, o autor defende a inclusão de alimentos específicos, como vegetais e frutas ricos em antioxidantes, na nossa rotina diária, além de discutir o impacto do estresse e das emoções na saúde física.

Anticâncer: Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais tornou-se um dos livros mais vendidos sobre o tema da prevenção e combate ao câncer, alcançando grande popularidade global. A obra aparece frequentemente em listas de best-sellers e continua sendo uma referência para muitas pessoas.

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COMO EU CONHECI O LIVRO

Em 2014, o câncer se tornou uma realidade ainda mais próxima e dolorosa para mim. Minha mãe, aos 65 anos de idade, foi diagnosticada com câncer de mama. Ela teve que passar por uma cirurgia de remoção do tumor e enfrentar um tratamento penoso envolvendo quimioterapia e radioterapia. Infelizmente, três anos depois, ela perdeu a batalha contra essa doença.

Em uma das minhas viagens para acompanhar o tratamento da minha mãe, vi pela primeira vez o livro Anticâncer: Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais em uma livraria de aeroporto. O título imediatamente chamou minha atenção. Após uma rápida análise do livro, percebi que o autor era diferente de certos escritores oportunistas que promovem tratamentos supostamente milagrosos sem comprovação científica. Pelo contrário, Anticâncer parecia ter uma boa fundamentação, além de ser acessível para leitores que não são da área médica. Decidi comprar o livro e iniciar uma leitura atenta.

Antes disso, eu já havia pesquisado sobre o tema e aprendi que foi após a Segunda Guerra Mundial que o câncer se tornou um problema de saúde pública global. Antes de 1945, casos de câncer em adultos jovens eram raros, mas hoje a situação é bem diferente. No meu círculo social, por exemplo, muitas pessoas, inclusive jovens com menos de 30 anos, foram afetadas por essa doença e, tragicamente, algumas até perderam a vida.

Também percebi que há um investimento muito maior no tratamento do que na prevenção do câncer. Constantemente ouvimos falar sobre novos medicamentos e terapias, mas, comparativamente, pouco se fala sobre a prevenção da doença. A explicação é simples: o tratamento é mais lucrativo do que a prevenção.

Minha expectativa era, então, que a leitura de Anticâncer enriquecesse meus conhecimentos sobre o tema.

O investimento no tratamento é muito do que na prevenção do câncer

POR QUE EU GOSTEI DO LIVRO

O livro superou minhas expectativas. Além do ótimo aprendizado, senti-me motivado a adotar um estilo de vida mais saudável e a incentivar outros a fazer o mesmo. As contribuições da medicina convencional são inegáveis. Tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem salvar vidas. No entanto, o livro destaca que somos os principais responsáveis pela nossa própria saúde. A importância de uma alimentação saudável, da prática regular de atividades físicas e do controle da ansiedade, do estresse e de outras emoções negativas é fundamental para prevenir o câncer ou, ao menos, melhorar as chances de sucesso no tratamento. O livro sugere caminhos claros para melhorarmos nesses aspectos.

Outro ponto que me agradou foi o estilo de escrita do autor. Ele consegue ser claro e acessível, mesmo ao tratar de temas complexos. As orientações e dicas sobre alimentação, exercícios físicos e gestão das emoções são fundamentadas em sólida pesquisa científica, conferindo ao livro uma credibilidade rara.

Além disso, Anticâncer não é meramente um manual técnico ou um livro didático. Ele é rico em histórias de pessoas reais que lutaram bravamente contra essa doença, o que torna a leitura mais envolvente. O autor, David Servan-Schreiber, compartilha sua própria jornada de enfrentamento da doença. Enquanto participava de um experimento científico, foi surpreendido com a notícia de que havia algo errado em seu cérebro. Após vários exames, veio o diagnóstico: ele tinha um tumor maligno e restavam-lhe poucos meses de vida. Mas o Dr. David decidiu lutar e conseguiu viver produtivamente por décadas após essa previsão sombria.

O livro também nos convida a adotar uma postura crítica em relação à medicina. Embora a ciência médica seja fundamental, ela não está isenta de influências do sistema capitalista, cujo foco é, muitas vezes, o lucro. Por isso, o incentivo a um estilo de vida saudável nem sempre recebe a devida ênfase dos profissionais de saúde. É sábio, por isso, buscarmos, por conta própria, informações que possam nos ajudar a ter uma saúde melhor.

Recomendo fortemente a leitura de Anticâncer. O livro nos incentiva a cuidar da nossa saúde física e mental, oferecendo dicas confiáveis sobre como fazê-lo. O autor, um médico e pesquisador conceituado, não despreza as terapias convencionais, mas nos lembra de que não podemos depender exclusivamente de medicamentos e médicos. Precisamos assumir um papel ativo no cuidado com o nosso corpo.

Atividade física é essencial!

TRECHOS DO LIVRO PARA SABOREAR

Se há uma única mensagem clara e enfática que eu gostaria de [passar neste livro) é a de que temos que prestar muita atenção à conexão mente e corpo, principalmente no impacto negativo de sentimentos prolongados de impotência e desespero.

Todos temos um câncer dormindo em nós. Como todo organismo vivo, nosso corpo fabrica células defeituosas permanentemente. É assim que nascem os tumores. Mas nosso corpo é também equipado com múltiplos mecanismos que lhe permitem detectá-los e contê-los.

Enquanto a doença não passa rente a nós, a vida nos parece infinita e acreditamos que sempre haverá tempo para lutarmos pela felicidade. Antes preciso obter meus diplomas, receber meus créditos, é preciso que as crianças cresçam, que eu me aposente… mais tarde pensarei na felicidade. Adiando sempre para o dia seguinte a busca do essencial, corremos o risco de deixar a vida escoar entre nossos dedos, sem jamais tê-la de fato saboreado.

Todos nós temos necessidade de nos sentir úteis aos outros. É um alimento indispensável à alma, cuja falta faz nascer uma dor que será ainda mais dilacerante se a morte estiver se aproximando. Grande parte do que chamamos de medo da morte vem do medo de que nossa vida não tenha tido sentido, de que tenhamos vivido em vão, de que nossa existência não tenha feito diferença para nada nem para ninguém.

Os recursos do corpo e as possibilidades de fazer face à doença ainda são com frequência subestimados pela ciência moderna.

Portanto, graças sobretudo aos meios naturais ao alcance de cada um de nós é que poderemos agir para reduzir a inflamação em nosso organismo. Simplesmente, temos que eliminar as toxinas pró-inflamatórias de nosso meio ambiente, adotar uma alimentação voltada para o combate do câncer, cuidar de nosso equilíbrio emocional e satisfazer a necessidade que nosso corpo tem de se mexer e gastar energia.

Mudanças no estilo de vida não podem, por definição, ser patenteadas. Portanto, não se tornam medicações e não precisam de receita médica. Isso significa que a maioria dos médicos não as considera de sua alçada, então depende de nós fazer nossas próprias mudanças.

Toda a literatura científica nos leva a concluir: uma pessoa que quer evitar o câncer deve limitar seriamente sua ingestão de açúcar e de farinhas brancas.

A obesidade é um dos maiores fatores de risco para o câncer. A conexão entre a obesidade e o câncer está ficando cada vez mais clara.

Todos os dados epidemiológicos confirmam, com efeito: a principal diferença entre as populações que têm as mais altas taxas de câncer de mama e as que têm as mais baixas é sua alimentação.

[Certo] estudo sugere que a combinação de compostos fitoquímicos da soja e do chá verde poderia ser utilizada como um regime alimentar potencialmente eficaz para inibir a progressão do câncer de mama […]

Alimentos “reais”, portanto, são bem mais eficientes do que suplementos e agem com mais eficácia em combinação do que quando ingeridos separadamente.

A validação de um remédio anticâncer até o estágio de experiências com o ser humano em número suficiente custa hoje entre 500 milhões e um bilhão de dólares. Esse tipo de investimento parece justificado quando se sabe que um remédio relativamente restrito como o Taxol rende à empresa que detém sua patente um bilhão de dólares por ano.

Em compensação, é completamente impossível investir somas dessa ordem para demonstrar a utilidade do brócolis, da framboesa ou do chá verde, uma vez que eles não podem ser patenteados nem sua comercialização reembolsará o investimento inicial.

Como os pacientes, os médicos se veem esmagados entre duas indústrias muito poderosas. De um lado, a indústria farmacêutica: sua lógica natural consiste em propor soluções farmacológicas, em vez de encorajar os pacientes a se defender. De outro, a indústria agroalimentar: ela protege avidamente os próprios interesses, impedindo a difusão de recomendações excessivamente explícitas sobre as relações entre alimentos e doenças.

Estudos mostram que uma grande proporção de mulheres com câncer de mama está convencida de que sua doença é a consequência de um estresse que elas não souberam administrar — um aborto, um divórcio, a doença de um filho ou a perda de um emprego […].

Psicoterapeutas que trabalham hoje com pacientes com câncer perceberam a importância de reativar nessas pessoas o desejo de viver.

As rupturas e os divórcios dolorosos estariam mais diretamente correlacionados com o câncer do que a morte de um cônjuge.

Seja aprendendo a relaxar e controlar melhor a mente, seja se alimentando melhor, seja praticando exercícios físicos regularmente, só há na verdade um segredo. Precisamos nos dar um caminho no qual possamos guiar o curso das nossas vidas em vez de nos sujeitarmos à impotência e ao sofrimento.

Há pessoas que vivem suas vidas sem apreciar seu verdadeiro valor.

Mesmo que eu fosse morrer jovem, eu via de repente que estávamos todos no mesmo barco. Todos aqueles tipos na rua, o apresentador de tevê, o presidente, e você, mesmo você”, ele disse, evitando um pouco o meu olhar. “Você também vai morrer. Isso parece idiota, mas pensar assim me tranquiliza. Por esse destino comum, eu permaneço inteiramente humano, e ligado a vocês todos, e a todos os nossos ancestrais e a todos os nossos descendentes. Não perdi minha carteira de sócio.”

A solidão frequentemente faz sofrer bem mais do que a dor física. […] É muito provável que a solidão que nos impomos, por não falar com ninguém do medo de morrer, contribua para agravar a doença.

É muito provável que a solidão que nos impomos, por não falar com ninguém do medo de morrer, contribua para agravar a doença.

Alguns pacientes que eu conheci trocaram seus carros pela bicicleta. Foi o que eu mesmo também fiz.

No final do dia, em vez de ter passado cinquenta minutos dentro de um vagão de metrô, eu fiz cinquenta minutos de atividade física. E tive a impressão de estar de férias.

Mas há uma coisa da qual tenho certeza: se tudo que fiz para ajudar a mim mesmo não me fez viver mais tempo, certamente me fez viver mais profundamente.”

Nos pacientes que conseguem sobreviver por um tempo considerável, a força que adquiriram é acompanhada de uma outra atitude, também ela nova, a da gratidão. Eles se tornaram capazes de perceber uma dimensão da vida que lhes escapava até então.

Como foi enfatizado pelo relatório do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer, as abordagens que reforçam os mecanismos de defesa do corpo (como a alimentação e o exercício) são ao mesmo tempo métodos efetivos de prevenção e contribuições essenciais para o tratamento.

Antes de tudo, devemos nos conscientizar do valor e da beleza da vida dentro de nós, e dedicar-lhe atenção e cuidado como se cuidássemos de uma criança que estivesse sob nossa responsabilidade.