Há alguns anos, passeando em uma livraria de um shopping de Salvador, me deparei com um box de DVDs contendo três minisséries produzidas em 1995 pela BBC, uma emissora britânica. Todas as três eram adaptações de clássicos da literatura do século XIX de Jane Austen.
Como eu já tinha lido os três livros que serviram de inspiração para as produções citadas (Orgulho e Preconceito, Emma e Razão e Sensibilidade) e gostado bastante deles, comprei o box de imediato. Assisti a tudo e achei todas as séries de ótima qualidade. Como hoje em dia pouca gente assiste a DVD, achei que essas obras não seriam tão acessíveis, apesar do seu valor.
No entanto, descobri recentemente que elas estão disponíveis no Amazon Prime. Portanto, agora é possível que mais pessoas as assistam. Decidi, então, fazer um post sobre cada uma dessas séries. O primeiro é sobre Orgulho e Preconceito.

Visão geral da minissérie Orgulho e Preconceito
A minissérie foi lançada em 1995, no Reino Unido, e tem 6 episódios, totalizando aproximadamente 300 minutos.
Resumo da história
A trama conta a história de cinco irmãs que vivem na zona rural da Inglaterra do século XIX. O maior objetivo da mãe delas era casá-las com um “bom partido” (ou seja, alguém rico). Chegam então à cidade o rico e solteiro Sr. Bingley e seu amigo, ainda mais rico e reservado, o Sr. Darcy.
Entra em jogo um verdadeiro embate intelectual e social entre o Sr. Darcy e Elizabeth, uma das cinco irmãs. Surgem então, entre os dois, grandes barreiras: o orgulho e o preconceito. Ela precisa superar o preconceito que sente em razão do jeito discreto e aparentemente arrogante do Sr. Darcy; ele, por sua vez, precisa dominar o orgulho vindo de sua elevada posição socioeconômica.
A partir desse embate, toda a narrativa se desenrola. A minissérie é muito elogiada pelo público e pela crítica, tendo ganhado prêmios importantes.

Por que vale a pena saborear a minissérie Orgulho e Preconceito
Vale a pena porque é muito fiel à obra original, ou seja, ao livro escrito por Jane Austen. E posso dizer isso com plena convicção, pois também li o livro.
O desenvolvimento dos personagens é de excelente qualidade. Tanto os protagonistas quanto os secundários (como o insuportável Sr. Collins e a fútil Sra. Bennet) são muito bem construídos, o que acrescenta um caráter cômico e de crítica social à obra.
Além disso, a produção cria de modo realista o ambiente da época. O cenário, o figurino e outros elementos realmente nos transportam para o passado. Outro ponto interessante é o elevado nível moral e ético da série. Há um clima de romance no ar, mas não há cenas vulgares ou linguagem de baixo calão, como é comum em muitas produções atuais. Pelo contrário: os diálogos são de alto nível e muito fiéis ao livro.

A obra mantém a crítica à condição da mulher no século XIX. Naquela época, a mulher não tinha direito à herança e, por isso, muitas viam o casamento como a única chance de sobrevivência econômica. Infelizmente, apesar dos avanços, a mulher muitas vezes ainda é tratada como inferior e sofre diversos tipos de abusos. A temática permanece, portanto, muito atual.
Por tudo isso, recomendo que todos assistam à minissérie Orgulho e Preconceito. Ela não é tão agitada quanto as produções de hoje e alguns podem achar o ritmo lento no início. Mas, se você fizer um pequeno esforço para se acostumar com essa cadência, será bastante recompensado!
