O filme Pinóquio, lançado internacionalmente em 2020, é considerado por muitos estudiosos do cinema como a melhor adaptação já feita para as telas do livro As Aventuras de Pinóquio, publicada em 1883 por Carlo Collodi (Clique aqui e leia o post sobre esse ótimo livro).
A seguir, apresento informações gerais sobre o filme, destaco os aspectos que o tornam muito mais fiel ao espírito do livro original — e, portanto, bastante diferente da famosa adaptação da Disney, de 1940 — e comento algumas das importantes lições que essa história continua a ensinar.
Informações gerais sobre o filme
Dirigido por Matteo Garrone, o filme tem no elenco principal Roberto Benigni, no papel de Gepeto, e Federico Ielapi, como Pinóquio. Ele foi lançado originalmente em 2019 na Itália e ganhou distribuição internacional em 2020.
O filme conta de forma bastante fiel a trajetória do boneco de madeira criado por Gepeto que, misteriosamente, possui vida. Ao longo da narrativa, Pinóquio demonstra ingratidão, desobediência e rebeldia. Por causa disso, sofre duras consequências. Apenas após o arrependimento e a mudança de comportamento é que ele se torna, como recompensa, um menino de verdade.
O longa recebeu diversos prêmios, sendo, inclusive, indicado ao Oscar em duas categorias.

Aspectos que tornam o filme mais fiel ao espírito da obra original
1 – A representação da pobreza e da fome
No filme, Gepeto vive em situação de pobreza extrema, lutando diariamente contra a fome — exatamente como no livro. Essa dimensão social praticamente não aparece na versão da Disney.
2 – O “Pinóquio real”
Aqui, Pinóquio se comporta como no livro: é moleque, egoísta, preguiçoso, ingrato e odeia a escola. Envolve-se facilmente com más companhias e toma decisões impulsivas. Na animação da Disney, ao contrário, Pinóquio é retratado como um menino essencialmente bom, ingênuo e sem malícia.

3 – A crueldade do mundo
O filme mantém episódios duros do livro, como o enforcamento de Pinóquio, a agressão violenta praticada por Pinóquio contra o Grilo Falante, os pés queimados do boneco, entre outros. O mundo apresentado não é acolhedor: é injusto, perigoso e implacável.
4 – A crítica ao sistema judiciário
Há uma cena emblemática em que Pinóquio é condenado justamente por ser inocente. O episódio preserva a ironia e a crítica à corrupção e à injustiça presentes no livro do século XIX — um detalhe que costuma ser suavizado ou eliminado em outras adaptações.
As lições que o filme ensina
Por ser tão fiel à obra original, Pinóquio (2020) transmite lições profundas e ainda muito atuais. O boneco só se transforma em um “menino de verdade” quando abandona a busca pelo prazer imediato e passa a se dedicar ao estudo, ao trabalho e ao cuidado com o pai doente.
O filme alerta para o perigo das promessas de dinheiro fácil — um tema extremamente atual num mundo marcado pela jogatina, pelo charlatanismo e pela desonestidade. Outra lição central é a de que liberdade sem limites se transforma em escravidão. Na “Terra dos Brinquedos”, onde só existe diversão e nenhuma responsabilidade, Pinóquio acaba se transformando em um burro de carga.

A mensagem é clara: o comportamento humano precisa ser guiado por valores morais sólidos. Somente assim é possível experimentar uma liberdade verdadeira.
Esses são apenas alguns exemplos das muitas lições que essa adaptação, tão fiel ao livro original, oferece. Um filme que vale muito a pena assistir — e refletir.
