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“A História das Coisas” e o futuro do planeta

Imagine um vídeo curto que, em apenas 20 minutos, revela o ciclo dos produtos que a sociedade consome e como o consumismo e o desperdício ameaçam o futuro da humanidade! É justamente essa a proposta do documentário “A História das Coisas”. A seguir, comento aspectos marcantes desse filme e explico por que eu o recomendo.

O documentário discute os perigos de um sistema de produção linear.

SOBRE O FILME

“A História das Coisas” (“The Story of Stuff”, no original) foi lançado em 2007 como um simples vídeo online e logo passou a ser muito apreciado tanto por educadores quanto pelo público em geral de vários países. O foco do documentário é mostrar o impacto do consumo exagerado no meio ambiente e na qualidade de vida. A autora e narradora do filme é Annie Leonard, uma renomada ambientalista norte-americana.

Utilizando uma linguagem visual baseada em desenhos e animações, Annie Leonard guia o espectador através das cinco etapas que os bens de consumo atravessam: extração, produção, distribuição, consumo e descarte. Trata-se de um sistema linear de produção. Esse sistema linear, se não for radicalmente transformado em um sistema cíclico, levará, por fim, ao colapso do planeta.

O vídeo foi disponibilizado gratuitamente na internet e literalmente “viralizou”. Foi traduzido para diversos idiomas e apreciado em mais de 200 países. O vídeo ainda é intensamente compartilhado em redes sociais, blogs e ambientes educacionais. É comum educadores, tanto no ensino médio como no nível superior, usarem a obra como uma ferramenta pedagógica para discutir questões como sustentabilidade, consumismo e cidadania.

Em virtude do enorme sucesso do seu vídeo, Annie Leonard lançou um livro de mesmo nome, que aprofunda as questões apresentadas no filme. Em breve, farei um post do livro também.

O documentário está disponível gratuitamente no YouTube. Vale a pena assistir!

POR QUE EU GOSTEI DO FILME

Gostei por vários motivos. Por exemplo, a narradora é muito simples e direta, apesar de falar de um assunto delicado e complexo. A narração é firme e as animações, mesmo sendo bem simples, foram habilmente utilizadas e aumentam o impacto da mensagem da obra.

A linguagem usada é bastante acessível. Um público bastante amplo é capaz de compreender a mensagem do filme, sem a necessidade de um conhecimento prévio sobre o tema.

Achei também importante o documentário apontar algumas das raízes do problema. Tem a questão individual. Infelizmente, boa parte das pessoas no mundo não são consumidoras conscientes, e sim consumistas! Mas há também a questão do sistema econômico atual, que é um sistema doente. Se não ocorrer uma mudança radical no sistema, ele vai se autodestruir e destruir o meio ambiente.

Achei também importante as explicações claras e didáticas sobre os conceitos de obsolescência programada e obsolescência perceptiva. Compreender bem esses conceitos nos ajuda a entender melhor a gravidade do que vem acontecendo no mundo. E alguns dos dados apresentados são alarmantes: em seis meses, 99% de tudo o que a sociedade consome — isso mesmo, 99%! — vai para o lixo. Realmente, não há como o planeta sustentar essa situação por tempo indefinido!

Por fim, o documentário me fez pensar muito na grande diferença entre o sistema de produção humano e a sabedoria que se manifesta na natureza. O sistema humano é linear. Tudo o que é produzido, por fim, vira lixo. Na natureza, o conceito de lixo não existe! Como diz a célebre frase de Lavoisier: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Ou seja, na natureza, ocorre um reaproveitamento constante dos produtos. Os ciclos da água, dos nutrientes e do oxigênio, entre outros, são claros exemplos disso.

Tudo na natureza é cíclico, não linear. Isso sim que é sustentabilidade!

Um sistema linear (Extração → Produção → Distribuição → Consumo → Lixo) atua contra a vida e o meio ambiente. A Terra não tem condições de sustentar esse sistema indefinidamente. Mas na natureza, o conceito de sustentabilidade e a valorização da vida se manifestam com muita clareza. Se o ser humano aprendesse mais com a sabedoria divina que se manifesta na natureza, todos sairiam ganhando.

Recomendo o documentário! E, por falar em sustentabilidade, confira aqui no Sabores a análise de um outro documentário sobre o tema.