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Resenha: A invenção da infância

SOBRE O FILME

O premiado documentário brasileiro A Invenção da Infância foi lançado em 2000, dirigido por Liliana Sulzbach e produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre. Com aproximadamente 25 minutos de duração, o filme mostra como as desigualdades sociais fazem com que muitas crianças assumam responsabilidades adultas precocemente.

Outro ponto central do documentário é o impacto negativo que a mídia atual tem tido na infância. A exposição constante das crianças a conteúdos violentos e eróticos bem como o estímulo ao consumismo são destacados como fatores que comprometem a experiência da infância, acelerando a transição para a vida adulta. Essa crítica dialoga com as ideias de Neil Postman em seu livro O Desaparecimento da Infância, que defende a opinião de que a mídia moderna está apagando as fronteiras entre a infância e a idade adulta.

Assista ao documentário gratuitamente no YouTube

POR QUE EU GOSTEI DO FILME

Uma das coisas que me chamou a atenção no documentário foi a análise histórica do conceito de infância. Durante a Idade Média (Século V ao XIV), predominava uma cultura oral, e a maioria da população não tinha acesso aos livros ou ao conhecimento. Nesse contexto, a infância não era respeitada ou sequer reconhecida como uma fase distinta da vida.

Com o Renascimento, o alvorecer da modernidade (Século XV), iniciou-se uma transformação significativa. O conhecimento passou a ser difundido, os livros se tornaram mais acessíveis, e a infância começou a ser vista como um período especial, em que a criança deveria ser protegida de conteúdos nocivos à sua formação. Essa era uma fase em que as crianças não deveriam ser submetidas ao trabalho pesado, como os adultos. A única preocupação das crianças deveria ser simplesmente viver sua infância.

No entanto, com o avanço da tecnologia, surgiram o telégrafo, o rádio e, posteriormente, a televisão. A cultura audiovisual começou a suplantar a cultura escrita, e nesse novo cenário, as crianças passaram a ser expostas a conteúdos prejudiciais de um modo mais intenso, assim como ocorria na Idade Média.

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Além disso, o documentário expõe como a pobreza obriga muitas crianças a trabalharem para sobreviver, muitas vezes em condições perigosas. Nessas circunstâncias, a infância dessas crianças é severamente comprometida.

O documentário é, portanto, um alerta para pais, professores e todos que se interessam pelo bem-estar dos jovens. A infância está sendo atacada de diversas maneiras, e muitos pais e responsáveis não se dão conta disso. É comum ver crianças excessivamente preocupadas com a aparência, usando maquiagem em excesso, roupas reveladoras e sendo expostas inadequadamente nas redes sociais, muitas vezes de forma sensual. Em muitos casos, são os próprios pais que promovem esse tipo de exposição. Tudo isso contribui para que a infância seja prejudicada, resultando em adultos imaturos no futuro, incapazes de lidar com os desafios da vida e inseguros.

Gostei especialmente do incentivo que o documentário oferece para estarmos mais atentos a esses ataques contra a infância e fazermos o possível para proteger os jovens. Como destacou o filme, ser criança não significa necessariamente ter uma infância. E quando as crianças crescem em um ambiente que não respeita a infância, as consequências são desastrosas, tanto para elas quanto para a sociedade como um todo.

A infância deve ser preservada

Embora o documentário tenha sido lançado em 2000, ele permanece extremamente relevante. Naquela época, redes sociais como Facebook, Instagram e TikTok ainda não existiam, e os celulares não tinham os recursos que possuem hoje. Com o avanço dessas tecnologias, a infância tem sido ainda mais ameaçada. Hoje, é ainda mais fácil para as crianças acessarem conteúdos violentos, pornográficos e outros que podem impactar negativamente seu desenvolvimento. Por isso, o filme continua atual e nos lembra da importância de estarmos atentos à situação das crianças e adolescentes hoje em dia.

Costumo exibir esse documentário para meus alunos do ensino médio, e eles sempre se envolvem bastante. As discussões que surgem geeralmente são profundas e reveladoras. O filme, apesar de curto, é comovente e nos leva a refletir seriamente sobre a situação dos jovens na atualidade. Recomendo fortemente que todos assistam!